Copa do Mundo 2026: O jazz entra em campo
Estreia da série Copa do Mundo, as músicas mais ouvidas da história, Ney Matogrosso em SP e Love Songs no Bourbon.
Abertura por Dennis Vianêz

Não sei qual é a relação de vocês com a Copa do Mundo, mas eu costumo ignorar a maioria dos meus problemas e me pego assistindo Nova Zelândia x Tunísia com a mesma felicidade que vejo meu time no Brasil.
Então essa atmosfera de união global que a Copa traz me fez aproveitar a oportunidade pra compartilhar com essa comunidade como vejo o jazz ao redor do mundo.
Se você navegar apenas na superfície, vai naturalmente achar que o jazz é uma coisa americana, de outro tempo, mas não é.
Jazz é uma linguagem. E como qualquer linguagem de verdade, ela não pertence a ninguém.
Ela foi sendo construída aos poucos, por pessoas em lugares diferentes, sem combinarem entre si.
Se pararmos de colocar a música em caixinhas, fica claro que durante a diáspora africana, o contato da população preta em vários pontos de todo o continente americano produziu músicas livres, baseadas na improvisação.
Essas misturas criaram o jazz em New Orleans, mas também criou o samba no Rio de Janeiro, o reggae em Kingston na Jamaica, o tango em Buenos Aires e por aí vai. /
Por isso quero dar início a uma série de conteúdos que vai trazer minha visão sobre o jazz e a música de alguns países que estão participando da Copa do Mundo.
Queria fazer de todos, mas 48 países fica complicado pra mim e pra vocês também né.
A primeira edição começa com Estados Unidos e Canadá. Miles Davis de um lado, Oscar Peterson do outro. Mas a gente já vai além dos clássicos, porque Kamasi Washington e Diana Krall estão provando que essa origem ainda produz coisa nova. /
Depois a gente chega em casa. Brasil e Argentina. E já vou adiantar: não vou ficar só na bossa nova. Johnny Alf veio antes de tudo isso, e Amaro Freitas está hoje tocando maracatu e Fats Waller na mesma frase no Carnegie Hall.
Tem uma edição que estou particularmente ansioso pra escrever: Irã e Turquia. Antes da Revolução de 1979, Teerã tinha clubes de jazz, orquestras, músicos tocando standards com escalas persas. Depois de 79, o jazz virou música proibida. Sobreviveu na clandestinidade e na diáspora. É uma das histórias mais pesadas e mais bonitas que o jazz tem pra contar.
São 12 edições, 25 países, e um artista clássico e um contemporâneo de cada lugar.
A série começa em breve e vou enviar cada edição ao longo de toda a Copa do Mundo.
Ansioso pra essa troca com vocês!
Dennis Vianêz • Idealizador Jazz Mansion
Jazz Mansion 10 anos

A Jazz Mansion está oficialmente de volta.
Em 2026 completamos 10 anos de existência e vamos voltar com nossa maior edição. Muita gente aqui nunca foi em uma, afinal nosso último encontro foi em novembro de 2023.
Todo esse período estivemos em busca de patrocinadores para viabilizar novas edições e este ano Fogo de Chão e Ifood foram a primeiras marcas a acreditar no projeto e permitir nosso retorno.
Queria contar muita coisa já, mas por enquanto apenas assinantes já sabem a data e terão acesso à pré-venda do evento entre outros benefícios. Bora fazer parte do clube? Te conto tudo lá primeiro!
Também vale ouvir

Tell It Like It Is, Nina Simone (1971):
O Spotify lançou uma playlist com as músicas mais ouvidas de todos os tempos pelos seus usuários. Trouxe aqui os 3 jazz que mais ouvidos da minha playlist. Esse som da Nina escutei mais de 150 vezes segundo o Spotify. É uma delícia pra qualquer ocasião. Nina Simone com a versão mais direta e sem filtro que ela já entrou num estúdio.
Granata, Chaiss na Mala (2015):
Chaiss na Mala foi uma banda paulistana que tocou nas primeiras edições da Jazz Mansion e não existe mais. Essa música me marcou tanto que escuto até hoje. Vinícius Chagas no saxofone e Rob Asthofen no baixo. Puro suco do jazz de rua de SP.
In a Sentimental Mood, Duke Ellington & John Coltrane (1962):
Essa é a música que sempre recomendo pra quem quer entender o que é jazz. Duke Ellington e John Coltrane. Dois mundos completamente diferentes que se encontraram numa única gravação de quatro minutos. Uma das gravações mais bonitas da história do jazz.
O que fazer em SP

Love Songs com Pri Vianna • Terça (09/06) • Bourbon Street
Pra começar bem a semana dos namorados, Pri Vianna abre a temporada de junho do Toda Terça Um Jazz com um set dedicado às grandes canções de amor do jazz.
Nina Oliveira e Jotapê • Tocou um Forró • Terça (09/06) • na Casa de Francisca
Das 21h30 às 01h00, perfeito pra um after do Toda Terça. Nina Oliveira lança ao vivo o EP que celebra sua primeira fase dedicada exclusivamente ao forró, com músicas gravadas nas ruas de Guarulhos onde ela cresceu. O porão da Francisca é o lugar certo pra esse encontro.
Ney Matogrosso no Bloco na Rua • Domingo (14/06) • Vibra São Paulo
Aos 84 anos com setlist inédito. Raul Seixas, Caetano Veloso, Secos e Molhados e músicas que ele nunca cantou ao vivo. Um show que pode ser o último dessa fase.
Agenda Jazz Mansion

Toda Terça Um Jazz
Bourbon Street · Moema · 19h30
Ingresso R$ 38 ou gratuito para membros do club
09/06 • Love Songs - Pri Vianna: A cantora apresenta um espetáculo especial dedicado às grandes love songs que marcaram gerações. Com interpretações sofisticadas e carregadas de emoção, o repertório percorre clássicos do jazz, soul e da música internacional romântica, criando uma atmosfera intimista e envolvente.
16/06 • Sobre Amores - Thiago Jamelão: Thiago é daqueles nomes que você talvez já tenha ouvido sem saber. Goiano de origem, passou pela cena de Brasília e hoje vive em São Paulo. Foi peça importante no AmarElo do Emicida, o disco que ganhou o Grammy Latino, onde cuidou da preparação vocal e da coprodução, e segue na estrada com o Emicida como guitarrista e backing vocal. Quem chegou no jazz pelo rap vai se sentir em casa.
23/06 • Clássicos do Blues - Blues In Vain: A noite dos puristas e dos curiosos. A Blues in Vain nasceu em 2017 com uma missão clara: voltar às raízes do blues, do Delta do Mississippi pra cá, do figurino ao som. Tocam com violão ressonador, gaita, washboard e percussão, os instrumentos que contam a história do gênero, misturados com guitarra, teclado, baixo e bateria. Blues com irreverência e muito improviso, do jeito solto que ele nasceu pra ser.
30/06 • Travessia - Luci Saluzzi: Você talvez conheça a voz dela sem saber o rosto. Luci é atriz, cantora e dubladora: foi a Asha de "Wish", a Sarabi de "Mufasa" e a Riri Williams de "Pantera Negra: Wakanda pra Sempre". Nos palcos, fez teatro musical de peso, do "Dom Casmurro", onde viveu a Capitu, ao "Romeu + Julieta ao Som de Marisa Monte". Agora ela está num momento novo, dando voz às próprias canções, sobre afeto, memória e pertencimento. Intensa, sensível, de pele. Uma boa descoberta pra fechar o mês.
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