Da Coreia a Brasília: seis histórias para ampliar o universo do jazz

MPMrocha / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0 · Origem.
Uma flauta colombiana desembarca na Coreia. Um pianista brasileiro integra um festival de música experimental na França. Em Brasília, uma homenagem a César Camargo Mariano divide a programação com oficinas e atividades para crianças. Em São Paulo, uma casa de música leva sua curadoria a um festival gastronômico.
Os acontecimentos não formam um único movimento, nem provam uma mudança em todo o mercado musical. Mas oferecem um recorte interessante: a experiência de ouvir pode começar por diferentes portas. Há quem chegue pelo artista, quem descubra uma apresentação durante um passeio e quem passe a conhecer uma tradição musical pelo encontro com outra.
Reunimos seis histórias do radar da semana para explorar essas possibilidades.
1. Uma colombiana leva sua própria linguagem à Coreia
A flautista e compositora Anamaría Oramas está na programação da 23ª edição do Jarasum Jazz Festival, marcada para 9 a 11 de outubro de 2026, em Gapyeong, na Coreia do Sul. A circulação também inclui apresentações em espaços de Seul e a participação de músicos coreanos. São suas primeiras apresentações no leste da Ásia, segundo a reportagem do The Korea Times.

Katsujiro Maekawa / Wikimedia Commons · CC0 1.0 · Origem. Exibição redimensionada, sem cortes.
Sua música aproxima improvisação contemporânea e tradições colombianas. Entre os instrumentos está a gaita, um sopro tradicional associado à Sierra Nevada de Santa Marta. A trajetória inclui ainda a gauta, que combina elementos da flauta transversal e da gaita, apresentada no álbum Muntu, de 2019.

Luis Pérez / Wikimedia Commons · CC BY 2.0 · Origem. Exibição redimensionada, sem cortes.
O interesse vai além de acompanhar uma artista em viagem. É descobrir como repertórios locais podem transformar a linguagem de um conjunto: a referência colombiana participa da composição, do timbre e da relação entre os músicos. Para começar a escuta, Muntu e Ramas Lejanas, de 2023, são dois pontos de entrada citados pela reportagem.
Ouça a composição de Oramas em um registro publicado no canal da artista. A gravação ajuda a conhecer sua linguagem musical; não registra a turnê coreana de 2026.
Anamaría Oramas · Assistir no YouTube · Fonte da indicação
2. Em Brest, o jazz também é um roteiro pela cidade
Na França, o Atlantique Jazz Festival reúne jazz contemporâneo, improvisação e música experimental. A edição de 2026 se estende de 7 a 17 de outubro, com programação em Brest e apresentações posteriores em outras localidades da Bretanha. Amaro Freitas, Anne Paceo, GILDAA e Amirtha Kidambi estão entre os nomes anunciados. Programação e datas.
A distribuição das apresentações faz parte da experiência. Teatros, espaços de música e cafés oferecem ambientes diferentes para ouvir. A programação inclui até uma apresentação em local secreto, prevista para 9 de outubro.

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Amaro Freitas aparece nesse circuito com uma apresentação de piano solo no Le Quartz. Sua presença oferece ao público uma oportunidade de encontrar a criação brasileira dentro de uma programação internacional dedicada à exploração musical.
Para quem acompanha o festival, o percurso entre os espaços também pode produzir descobertas. A cidade participa do encontro: muda a escala da sala, a proximidade com o músico e a maneira de chegar à apresentação.
Uma sessão de Amaro Freitas publicada pela Worldwide FM, realizada em colaboração com Gilles Peterson e Rhodes. Use esta escuta para conhecer o pianista; não é uma gravação do Atlantique Jazz Festival de 2026.
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3. Annapolis aproxima concertos, história e educação
O Annapolis Jazz & Roots Festival, nos Estados Unidos, anunciou sua edição de 2026 para o período de 6 a 15 de novembro. A programação se distribui por dois fins de semana e combina concertos, palestras e atividades culturais. Segundo o anúncio publicado pelo Eye On Annapolis, são oito espaços em cinco bairros.
O tema da edição, New World Music: Centuries of Sound, aproxima música e história. O programa inclui referências ao jazz, ao blues, ao hip-hop e a tradições indígenas, além de encontros sobre contextos históricos ligados à região.
Entre os nomes anunciados está o baterista e compositor Makaya McCraven, com concerto em 8 de novembro no Maryland Hall. A programação também inclui Akua Allrich no Banneker-Douglass-Tubman Museum, em 14 de novembro. Atrações e locais anunciados.

Ser Amantio di Nicolao / Wikimedia Commons · CC0 1.0 · Origem. Exibição redimensionada, sem cortes.
Essa combinação permite que uma apresentação seja acompanhada por outras formas de conhecimento. Uma biblioteca pode oferecer a conversa que amplia a escuta; um museu pode criar outra relação entre repertório e memória.
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Não é necessário reduzir tudo a uma atração principal. O conjunto de atividades oferece diferentes entradas para quem já conhece os músicos e para quem chega movido pela curiosidade sobre a cidade.
Apresentação no estúdio da KEXP, gravada em 25 de outubro de 2022. Um ponto de entrada para a música de um dos artistas anunciados em Annapolis; não é cobertura do festival de 2026.
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4. Blue Note leva a curadoria musical para a gastronomia
Em São Paulo, o Folha Gourmet Festival está anunciado para os dias 7, 8, 14 e 15 de novembro de 2026, no Parque Villa-Lobos. O evento reúne 20 bares e restaurantes e terá curadoria musical do Blue Note. Essas informações aparecem na página de cobertura do festival mantida pela Folha.

Photograph by Mike Peel (www.mikepeel.net). / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0 · Origem. Exibição redimensionada, sem cortes.
A associação aproxima duas experiências que frequentemente compartilham o mesmo espaço: comer e ouvir música. A curadoria pode dar continuidade à programação e oferecer ao visitante um motivo para permanecer além da experiência gastronômica.

寅次郎 (tora) / Wikimedia Commons · CC BY 2.0 · Origem. Exibição redimensionada, sem cortes.
Também mostra uma forma de atuação para uma marca musical fora de sua casa habitual. Escolher artistas, construir uma sequência e estabelecer uma linguagem para o evento são tarefas que podem acompanhar o público em outros ambientes.
Vídeo institucional da casa sobre sua experiência e coquetelaria. Ajuda a visualizar a relação entre música e hospitalidade mencionada no texto; não apresenta a estrutura do Folha Gourmet Festival de 2026.
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Isso não significa que todo festival gastronômico se torne um festival de jazz. O caso interessa justamente por mostrar como uma identidade musical pode participar de uma experiência cultural mais ampla.
Uma apresentação musical publicada pelo canal do Blue Note SP. A seleção ilustra a atividade da casa; não implica que esta formação esteja anunciada no festival gastronômico de 2026.
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5. Cerrado Jazz cria encontros entre gerações
O Cerrado Jazz Festival anunciou programação gratuita para 9 e 10 de outubro de 2026 na CAIXA Cultural Brasília, com homenagem a César Camargo Mariano. O pianista se apresenta com André Vasconcellos, numa edição que também reúne Metá Metá, Sandra de Sá, Tatiana Parra com Vardan Ovsepian e outros artistas. Programação oficial.

Olimor (atribuição do acervo) / Wikimedia Commons · Domínio público · Origem. Exibição redimensionada, sem cortes.
A experiência inclui workshops, encontros, feira criativa e gastronomia. O Cerradinho Jazz dedica uma parte da programação às crianças e às famílias.
Reunir essas atividades cria diferentes maneiras de se aproximar da música. Um estudante pode encontrar interesse numa conversa sobre arranjos; uma família pode descobrir a programação infantil; um admirador de César Camargo Mariano pode chegar pela homenagem e conhecer outros nomes.
O programa também aproxima trajetórias e linguagens diversas da música brasileira. A convivência entre repertórios permite conhecer o festival pela descoberta, além da expectativa de ouvir uma atração já familiar.

Festival Contato / Wikimedia Commons · CC BY 2.0 · Origem. Exibição redimensionada, sem cortes.
Um encontro entre Metá Metá e Negro Leo publicado pelo Tiny Desk Brasil. A sessão permite observar a criação coletiva em um ambiente próximo; não registra o Cerrado Jazz nem anuncia Negro Leo em sua programação.
Tiny Desk Brasil · Assistir no YouTube · Fonte da indicação
6. Criolo no Tiny Desk: uma conexão com outros universos musicais
O radar da semana incluiu uma história que amplia essa conversa, embora não seja uma notícia estritamente de jazz: a sessão de Criolo para o Tiny Desk Brasil, publicada em 6 de outubro de 2026.

Patricia Oliveira / Wikimedia Commons · CC BY 2.0 · Origem. Exibição redimensionada, sem cortes.
O episódio revisita os 15 anos de Nó na Orelha, de 2011, com músicos ligados à criação do álbum. Entre as faixas estão “Subirusdoistiozin”, “Sucrilhos” e “Não Existe Amor em SP”, além de “Ogum Ogum”, de Sobre Viver. Repertório e formação, na Melodeira.

Diego Cavichiolli Carbone / Wikimedia Commons · CC BY 2.0 · Origem. Exibição redimensionada, sem cortes.
O encontro oferece outra maneira de retomar um disco conhecido. A proximidade do formato permite acompanhar os músicos, suas entradas e o espaço que cada parte ocupa na apresentação.
A sessão citada na matéria, publicada em 6 de outubro de 2026. Assista aos quatro números para acompanhar as entradas dos músicos e o reencontro com o repertório de Nó na Orelha.
Tiny Desk Brasil e Criolo · Assistir no YouTube · Fonte da indicação
Para o público interessado em jazz e música brasileira, essa é uma ponte de escuta: observar a interpretação coletiva e seguir as conexões entre músicos e repertórios, sem precisar colocar toda a experiência dentro de um único gênero.
Conversa de Sarah Oliveira com Criolo após a performance, publicada pelo mesmo canal. Um complemento para conhecer o contexto da celebração dos 15 anos de Nó na Orelha.
Tiny Desk Brasil · Assistir no YouTube · Fonte da indicação
Uma descoberta pode levar à próxima
As seis histórias oferecem percursos diferentes. É possível começar por uma compositora colombiana, acompanhar um brasileiro no exterior, explorar a programação de um festival ou voltar a um álbum numa nova interpretação.
A próxima descoberta pode estar no músico que você ainda não conhece, na atividade que acontece antes do show ou na canção que muda quando os intérpretes voltam a se reunir. Reservar atenção para essas conexões é uma maneira de fazer a escuta continuar depois da última faixa.






