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Da Coreia a Brasília: seis histórias para ampliar o universo do jazz

Amaro Freitas durante uma apresentação com septeto em 2025.
Amaro Freitas com septeto em uma apresentação de maio de 2025, no Brasil. O registro mostra outra formação do pianista; em Brest, a apresentação anunciada é de piano solo.
MPMrocha / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0 · Origem.

Uma flauta colombiana desembarca na Coreia. Um pianista brasileiro integra um festival de música experimental na França. Em Brasília, uma homenagem a César Camargo Mariano divide a programação com oficinas e atividades para crianças. Em São Paulo, uma casa de música leva sua curadoria a um festival gastronômico.

Os acontecimentos não formam um único movimento, nem provam uma mudança em todo o mercado musical. Mas oferecem um recorte interessante: a experiência de ouvir pode começar por diferentes portas. Há quem chegue pelo artista, quem descubra uma apresentação durante um passeio e quem passe a conhecer uma tradição musical pelo encontro com outra.

Reunimos seis histórias do radar da semana para explorar essas possibilidades.

1. Uma colombiana leva sua própria linguagem à Coreia

A flautista e compositora Anamaría Oramas está na programação da 23ª edição do Jarasum Jazz Festival, marcada para 9 a 11 de outubro de 2026, em Gapyeong, na Coreia do Sul. A circulação também inclui apresentações em espaços de Seul e a participação de músicos coreanos. São suas primeiras apresentações no leste da Ásia, segundo a reportagem do The Korea Times.

Paisagem de Jarasum com rio, montanhas e ponte ao entardecer.
O rio Bukhan e a ponte ferroviária vistos de Jarasum, em Gapyeong, em maio de 2018. A paisagem situa o destino da turnê; é uma imagem de arquivo, anterior ao festival de 2026.
Katsujiro Maekawa / Wikimedia Commons · CC0 1.0 · Origem. Exibição redimensionada, sem cortes.

Sua música aproxima improvisação contemporânea e tradições colombianas. Entre os instrumentos está a gaita, um sopro tradicional associado à Sierra Nevada de Santa Marta. A trajetória inclui ainda a gauta, que combina elementos da flauta transversal e da gaita, apresentada no álbum Muntu, de 2019.

Grupo de jovens gaiteros com instrumentos de percussão no Festival del Porro.
Jovens gaiteros no Festival del Porro, em Córdoba, Colômbia, em julho de 2008. O registro apresenta o contexto tradicional da gaita colombiana e não retrata Anamaría Oramas.
Luis Pérez / Wikimedia Commons · CC BY 2.0 · Origem. Exibição redimensionada, sem cortes.

O interesse vai além de acompanhar uma artista em viagem. É descobrir como repertórios locais podem transformar a linguagem de um conjunto: a referência colombiana participa da composição, do timbre e da relação entre os músicos. Para começar a escuta, Muntu e Ramas Lejanas, de 2023, são dois pontos de entrada citados pela reportagem.

Anamaría Oramas — Muntu ft. Rachel Therrien
Ouça a composição de Oramas em um registro publicado no canal da artista. A gravação ajuda a conhecer sua linguagem musical; não registra a turnê coreana de 2026.
Anamaría Oramas · Assistir no YouTube · Fonte da indicação

2. Em Brest, o jazz também é um roteiro pela cidade

Na França, o Atlantique Jazz Festival reúne jazz contemporâneo, improvisação e música experimental. A edição de 2026 se estende de 7 a 17 de outubro, com programação em Brest e apresentações posteriores em outras localidades da Bretanha. Amaro Freitas, Anne Paceo, GILDAA e Amirtha Kidambi estão entre os nomes anunciados. Programação e datas.

A distribuição das apresentações faz parte da experiência. Teatros, espaços de música e cafés oferecem ambientes diferentes para ouvir. A programação inclui até uma apresentação em local secreto, prevista para 9 de outubro.

Esplanada do teatro Le Quartz, em Brest, em fotografia de arquivo.
Esplanada do Le Quartz, em Brest, fotografada em novembro de 2016. A sala anunciada para o piano solo de Amaro Freitas faz parte do percurso do festival pela cidade.
Kergourlay / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0 · Origem. Exibição redimensionada, sem cortes.

Amaro Freitas aparece nesse circuito com uma apresentação de piano solo no Le Quartz. Sua presença oferece ao público uma oportunidade de encontrar a criação brasileira dentro de uma programação internacional dedicada à exploração musical.

Para quem acompanha o festival, o percurso entre os espaços também pode produzir descobertas. A cidade participa do encontro: muda a escala da sala, a proximidade com o músico e a maneira de chegar à apresentação.

Rhodes TRIOLOGY Sessions: Amaro Freitas
Uma sessão de Amaro Freitas publicada pela Worldwide FM, realizada em colaboração com Gilles Peterson e Rhodes. Use esta escuta para conhecer o pianista; não é uma gravação do Atlantique Jazz Festival de 2026.
Worldwide FM · Assistir no YouTube · Fonte da indicação

3. Annapolis aproxima concertos, história e educação

O Annapolis Jazz & Roots Festival, nos Estados Unidos, anunciou sua edição de 2026 para o período de 6 a 15 de novembro. A programação se distribui por dois fins de semana e combina concertos, palestras e atividades culturais. Segundo o anúncio publicado pelo Eye On Annapolis, são oito espaços em cinco bairros.

O tema da edição, New World Music: Centuries of Sound, aproxima música e história. O programa inclui referências ao jazz, ao blues, ao hip-hop e a tradições indígenas, além de encontros sobre contextos históricos ligados à região.

Entre os nomes anunciados está o baterista e compositor Makaya McCraven, com concerto em 8 de novembro no Maryland Hall. A programação também inclui Akua Allrich no Banneker-Douglass-Tubman Museum, em 14 de novembro. Atrações e locais anunciados.

Fachada do Maryland Hall for the Creative Arts, em Annapolis.
Maryland Hall, em Annapolis, em janeiro de 2024. O espaço está anunciado para receber Makaya McCraven na edição de novembro de 2026.
Ser Amantio di Nicolao / Wikimedia Commons · CC0 1.0 · Origem. Exibição redimensionada, sem cortes.

Essa combinação permite que uma apresentação seja acompanhada por outras formas de conhecimento. Uma biblioteca pode oferecer a conversa que amplia a escuta; um museu pode criar outra relação entre repertório e memória.

Fachada de tijolos da antiga igreja Mount Moriah, sede do museu em Annapolis.
A antiga igreja Mount Moriah, fotografada em julho de 2009, abriga o museu hoje chamado Banneker-Douglass-Tubman. O encontro entre música e memória ganha um lugar concreto na programação de Annapolis.
Pubdog / Wikimedia Commons · Domínio público · Origem. Exibição redimensionada, sem cortes.

Não é necessário reduzir tudo a uma atração principal. O conjunto de atividades oferece diferentes entradas para quem já conhece os músicos e para quem chega movido pela curiosidade sobre a cidade.

Makaya McCraven — Full Performance (Live on KEXP)
Apresentação no estúdio da KEXP, gravada em 25 de outubro de 2022. Um ponto de entrada para a música de um dos artistas anunciados em Annapolis; não é cobertura do festival de 2026.
KEXP · Assistir no YouTube · Fonte da indicação

4. Blue Note leva a curadoria musical para a gastronomia

Em São Paulo, o Folha Gourmet Festival está anunciado para os dias 7, 8, 14 e 15 de novembro de 2026, no Parque Villa-Lobos. O evento reúne 20 bares e restaurantes e terá curadoria musical do Blue Note. Essas informações aparecem na página de cobertura do festival mantida pela Folha.

Entrada do Parque Villa-Lobos, em São Paulo.
Entrada do Parque Villa-Lobos em fevereiro de 2018. O festival gastronômico está anunciado para o parque em novembro de 2026; esta foto antecede o evento.
Photograph by Mike Peel (www.mikepeel.net). / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0 · Origem. Exibição redimensionada, sem cortes.

A associação aproxima duas experiências que frequentemente compartilham o mesmo espaço: comer e ouvir música. A curadoria pode dar continuidade à programação e oferecer ao visitante um motivo para permanecer além da experiência gastronômica.

Vista do Parque Villa-Lobos, em São Paulo, em fotografia de arquivo.
Parque Villa-Lobos, em São Paulo, em maio de 2017. O ambiente ao ar livre contextualiza a experiência que reunirá gastronomia e música, sem antecipar a montagem do festival.
寅次郎 (tora) / Wikimedia Commons · CC BY 2.0 · Origem. Exibição redimensionada, sem cortes.

Também mostra uma forma de atuação para uma marca musical fora de sua casa habitual. Escolher artistas, construir uma sequência e estabelecer uma linguagem para o evento são tarefas que podem acompanhar o público em outros ambientes.

Blue Note São Paulo
Vídeo institucional da casa sobre sua experiência e coquetelaria. Ajuda a visualizar a relação entre música e hospitalidade mencionada no texto; não apresenta a estrutura do Folha Gourmet Festival de 2026.
Blue Note SP · Assistir no YouTube · Fonte da indicação

Isso não significa que todo festival gastronômico se torne um festival de jazz. O caso interessa justamente por mostrar como uma identidade musical pode participar de uma experiência cultural mais ampla.

Brasil Jazz Sinfônica Big Band — Brasil em Jazz
Uma apresentação musical publicada pelo canal do Blue Note SP. A seleção ilustra a atividade da casa; não implica que esta formação esteja anunciada no festival gastronômico de 2026.
Blue Note SP · Assistir no YouTube · Fonte da indicação

5. Cerrado Jazz cria encontros entre gerações

O Cerrado Jazz Festival anunciou programação gratuita para 9 e 10 de outubro de 2026 na CAIXA Cultural Brasília, com homenagem a César Camargo Mariano. O pianista se apresenta com André Vasconcellos, numa edição que também reúne Metá Metá, Sandra de Sá, Tatiana Parra com Vardan Ovsepian e outros artistas. Programação oficial.

César e Pedro Camargo Mariano em fotografia histórica no Rio de Janeiro.
César e Pedro Camargo Mariano no Rio de Janeiro, em registro descrito no acervo como de 2005. César é o homenageado do Cerrado Jazz de 2026; Pedro aparece nesta fotografia histórica, sem indicação de participação no festival.
Olimor (atribuição do acervo) / Wikimedia Commons · Domínio público · Origem. Exibição redimensionada, sem cortes.

A experiência inclui workshops, encontros, feira criativa e gastronomia. O Cerradinho Jazz dedica uma parte da programação às crianças e às famílias.

Reunir essas atividades cria diferentes maneiras de se aproximar da música. Um estudante pode encontrar interesse numa conversa sobre arranjos; uma família pode descobrir a programação infantil; um admirador de César Camargo Mariano pode chegar pela homenagem e conhecer outros nomes.

O programa também aproxima trajetórias e linguagens diversas da música brasileira. A convivência entre repertórios permite conhecer o festival pela descoberta, além da expectativa de ouvir uma atração já familiar.

Metá Metá no palco, com saxofonista em primeiro plano e público próximo.
Metá Metá em apresentação fotografada em setembro de 2013, com saxofone em primeiro plano. A imagem de arquivo apresenta uma das linguagens brasileiras que integram o programa anunciado do Cerrado Jazz.
Festival Contato / Wikimedia Commons · CC BY 2.0 · Origem. Exibição redimensionada, sem cortes.
Metá Metá & Negro Leo: Tiny Desk Brasil
Um encontro entre Metá Metá e Negro Leo publicado pelo Tiny Desk Brasil. A sessão permite observar a criação coletiva em um ambiente próximo; não registra o Cerrado Jazz nem anuncia Negro Leo em sua programação.
Tiny Desk Brasil · Assistir no YouTube · Fonte da indicação

6. Criolo no Tiny Desk: uma conexão com outros universos musicais

O radar da semana incluiu uma história que amplia essa conversa, embora não seja uma notícia estritamente de jazz: a sessão de Criolo para o Tiny Desk Brasil, publicada em 6 de outubro de 2026.

Criolo durante show no Matilha Cultural em 2010.
Criolo no Matilha Cultural, em São Paulo, em dezembro de 2010, no lançamento do vinil Subirosdoistiozin. Um registro anterior a Nó na Orelha; não é uma imagem do Tiny Desk de 2026.
Patricia Oliveira / Wikimedia Commons · CC BY 2.0 · Origem. Exibição redimensionada, sem cortes.

O episódio revisita os 15 anos de Nó na Orelha, de 2011, com músicos ligados à criação do álbum. Entre as faixas estão “Subirusdoistiozin”, “Sucrilhos” e “Não Existe Amor em SP”, além de “Ogum Ogum”, de Sobre Viver. Repertório e formação, na Melodeira.

Criolo em apresentação no Parque da Aclimação em 2011.
Criolo no Parque da Aclimação, em São Paulo, em setembro de 2011, ano de lançamento de Nó na Orelha. A fotografia aproxima a leitura do período retomado pela sessão de 2026.
Diego Cavichiolli Carbone / Wikimedia Commons · CC BY 2.0 · Origem. Exibição redimensionada, sem cortes.

O encontro oferece outra maneira de retomar um disco conhecido. A proximidade do formato permite acompanhar os músicos, suas entradas e o espaço que cada parte ocupa na apresentação.

Criolo : Tiny Desk Brasil
A sessão citada na matéria, publicada em 6 de outubro de 2026. Assista aos quatro números para acompanhar as entradas dos músicos e o reencontro com o repertório de Nó na Orelha.
Tiny Desk Brasil e Criolo · Assistir no YouTube · Fonte da indicação

Para o público interessado em jazz e música brasileira, essa é uma ponte de escuta: observar a interpretação coletiva e seguir as conexões entre músicos e repertórios, sem precisar colocar toda a experiência dentro de um único gênero.

Criolo : Tiny Talks Brasil
Conversa de Sarah Oliveira com Criolo após a performance, publicada pelo mesmo canal. Um complemento para conhecer o contexto da celebração dos 15 anos de Nó na Orelha.
Tiny Desk Brasil · Assistir no YouTube · Fonte da indicação

Uma descoberta pode levar à próxima

As seis histórias oferecem percursos diferentes. É possível começar por uma compositora colombiana, acompanhar um brasileiro no exterior, explorar a programação de um festival ou voltar a um álbum numa nova interpretação.

A próxima descoberta pode estar no músico que você ainda não conhece, na atividade que acontece antes do show ou na canção que muda quando os intérpretes voltam a se reunir. Reservar atenção para essas conexões é uma maneira de fazer a escuta continuar depois da última faixa.

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