A primeira banda de Afrobeat no mundo formada somente por mulheres negras é brasileira

O Funmilayo Afrobeat Orquestra, que seria a atração principal da última Jazz Mansion, gravou seu primeiro single no projeto ‘Escuta as Minas’ do Spotify
Foto: José de Holanda
A 22ª edição da Jazz celebraria o mês da mulher, em março, com um line up feminino e por conta da pandemia do novo Coronavírus, o evento precisou ser adiado. Uma das bandas já confirmadas para o evento, era o Funmilayo Afrobeat, que subiria ao palco para mandar seu som original e levar também sua mensagem de inspiração para que as mulheres negras ocupem cada vez mais espaços na arte, na política, ou onde elas quiserem.
Cartaz oficial da edição #22 da Jazz Mansion SP
O projeto de 11 mulheres negras surgiu da aflição da cantora e saxofonista Stela Nesrine e da trompetista Larissa Oliveira, ao perceberem que não existia no Brasil um grupo de afrobeat formado e idealizado por mulheres negras. Criado pelo Fela Kuti, multi-instrumentista nigeriano, o estilo musical é de origem negra e predominantemente masculino desde sua origem. A junção de jazz, soul, funk, highlife e ritmostradicionais africanos é a matriz para o afrobeat, que tem ainda como característica as percussões tradicionais, o ritmo dançante, os momentos de improvisação e os vocais que surgem após vários minutos das longas músicas.
Diante do desafio, Stela e Larissa começaram a somar forças com outras artistas que abraçaram a ideia. Assim nasceu o Funmilayo Afrobeat Orquestra: com Sthe Araújo e AfroJu na percussão, Ana Goes no sax tenor, Suka Figueiredo no sax barítono, Priscila Hilário na bateria, Bruna Duarte no baixo, Jasper na guitarra, Rosa Couto nos vocais e bloco sonoro e Tamiris Silveira nos teclados. As artistas tem origens musicais distintas, algumas vieram da fanfarra, outras da música erudita e de conservatórios de música. Além do próprio Fela Kuti, a banda traz como principais influência nomes brasileiros como Elza Soares e as contemporâneas Bia Ferreira, Luedji, Xênia França e Jussara Marçal.
Show histórico da banda em uma das últimas edições da Afrojam SP
Outra mulher negra a ser inspiração para o Funmilayo Afrobeat é Marielle Franco, a vereadora assassinada no Rio de Janeiro em 2018, virou tema da música ’NegrAção”, o primeiro single da banda lançado nas plataformas digitais no Dia da Consciência Negra , 20 de novembro. Ele foi gravado na Casa ‘Escuta as Minas’, um projeto feito pelo Spotify em prol de facilitar a troca e as conexões entre artistas em início de carreira com produtoras que já conquistaram espaço no mercado, grandes nomes da música nacional, as madrinhas, e toda uma rede para apoiar novos talentos em diversas áreas da indústria.
Uma curiosidade muito importante para história da banda, é que o nome dela foi escolhido como homenagem a Funmilayo Anikulapo Kuti, uma das ativistas mais importantes da Nigéria e mãe do fundador do afrobeat, Fela Kut. Bere (como era conhecida), foi uma professora proeminente e liderou a luta das mulheres por liberdade, pelo direito ao voto e por justiça social.
Para quem quiser acompanhar a banda, sigam as minas em @funmilayoafrobeat e ajudem elas dando muito stream no single pelo Spotify. Vida longa ao Funmilayo Afrobeat!






